Antes de responder esta pergunta é necessário definir o que é um “líder ausente” e como um líder deveria, idealmente, utilizar o seu tempo. E isto é bastante diferente dependendo do nível hierárquico do líder na empresa e do tamanho da organização onde ele trabalha.

Quanto maior a empresa for, maior será a distância entre o líder e a operação do dia a dia. Isto é, ele gastará o tempo dele pensando em estratégias, captação de recursos, alianças e relações institucionais. Do outro lado, quanto menor for a organização, é bem provável que ele gaste o tempo dele relacionando-se com clientes, processos, sistemas e resolução de problemas.

De qualquer forma, sempre tem uma divisão básica neste tempo:

1. O tempo que o empreendedor usa lidando diretamente com os problemas.

2. O tempo que o empreendedor usa lidando com sua equipe.

Embora não exista uma receita de bolo, deve ter um equilíbrio saudável aqui. E ele provavelmente está entre 70/30 e 30/70. Um empreendedor que passa 100% do seu tempo lidando diretamente com problemas, não está cuidando de sua equipe. E um empreendedor que passa 100% do seu tempo lidando com sua equipe, não está mantendo o distanciamento necessário para o raciocínio estratégico e as decisões difíceis que cabem apenas a ele. De qualquer um dos dois jeitos, ele está limitando a capacidade da empresa se fortalecer como organização e crescer.

Partindo desse raciocínio, o que acontece quando o líder gasta menos tempo do que deveria com sua equipe? Quando ele “deixa solto” ou “delarga”? Provavelmente, as coisas começam a desandar.

O tempo do líder com sua equipe tem essencialmente quatro funções:

1. Acompanhar o trabalho da equipe

A função mais básica da liderança é fazer contratos com as pessoas que ela lidera e checar se estes contratos estão sendo seguidos. Um líder ausente contrata mal e checa mal. O que faz com que a operação saia do foco e derrape nas curvas. E que a empresa perca produtividade e qualidade na entrega. É claro que não é para ser “control freak”, mas não dá para perder o contato com a realidade.

2. Atender à equipe em suas necessidades

É responsabilidade da liderança garantir que seus liderados possuam os recursos que precisam para executar o seu trabalho e que tenham a competência necessária para usá-los. Alguns destes recursos são sutis e não podem ser vistos de fora.

Apenas os liderados sabem o que realmente precisam para executar bem seu trabalho. E o líder tem que estar por perto e disponível para atendê-los. Quando isto não acontece há perda de energia, de motivação, de produtividade. Cai o entusiasmo e o compromisso com o resultado.

3. Definir as prioridades da equipe

Plano é plano. Jogo é jogo. Na hora em que o trabalho está intenso e acelerado é muito difícil ter certeza que a atenção da equipe está no lugar certo e de que as prioridades corretas estão sendo atendidas. Muitas vezes isto envolve decisões difíceis que requerem o distanciamento correto para enxergar. Quando o líder não faz isto, a equipe se perde, a ansiedade sobe e erros grosseiros de entrega podem acontecer.

4. Pensar o futuro da equipe

Entender o que é preciso para desenvolver e executar bem uma estratégia é uma responsabilidade exclusiva da liderança. E isto requer cabeça nas nuvens e pés no chão. Assim como capacidade de ligar mentalmente o presente ao futuro.

Quando o líder não é capaz de fazer essas coisas as pessoas estão suscetíveis a perderem os empregos e a empresa pode, literalmente, quebrar. Isto por ela tornar-se obsoleta quando há uma mudança rápida nas necessidades do mercado.

Liderar é coisa séria. Requer tempo e esforço constante. Um empreendedor de sucesso não pode ser um líder ausente. Ele tem que balancear o tempo entre as atividades que são só suas e as atividades para o desenvolvimento de sua equipe, que no fim é o que realmente vai fazer sua empresa crescer e fazer o sonho grande se tornar realidade.

Daniel Castello é mentor da Endeavor Brasil.

Fonte: Exame.com

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